quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Tudo o que perdemos...

          Sim, foi tudo, foi muito! Um rasgo sem bordas na alma, a sensação da morte em vida, a negação da vida pela própria vida, que seguiu caminhos incertos, tortuosos, acérrimos...
          Sim, foi tudo! Não mais aquele sorriso, não mais aquele silêncio casado, não mais a palavra de um na mente do outro. Nada!... A secura dos olhos, já cansados do pranto, mormente à noite, o horário das solidões...
          Eu sei, é o discurso tardio do enterro! Entenda que é preciso, muitas vezes, retirar da visão todas as sujidades, todas as impurezas, o que requer tempo, ao menos a mim o exigiu...
          É tarde, eu compreendo. E o que sabe de tempo a dor? A dor é o que fica, a tentar preencher o vazio inocuamente. Ela não para, ela não cessa, a não ser que... Mas, não! Eu sei que não. Muitos anos para saber que não...
          No entanto, por menos quisesse, sempre estarei presente e você, que sempre arrasto, também...
          Seja feliz longe, peço, para que eu me tranquilize. Entregue-se à vida, não a deixe morrer mais; não permita seja tolhida mais do que já a tolhi!... Avance, erga a cabeça, mire o horizonte! Sinta o coração, sob plumas, bater e querer e queimar e tomar!...
          O meu permanecerá aqui, inquieto mas inerte, uma vez que as sombrias asas o tomaram de assalto.

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